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InHouse Contact Center & Technology

Como montar um RFP para contratar uma operação de Contact Center

Contratar uma operação terceirizada de atendimento exige mais do que solicitar orçamentos e comparar preços. Um RFP para contratar Contact Center permite organizar as necessidades da empresa, estabelecer critérios de avaliação e solicitar propostas técnicas e comerciais que possam ser comparadas de maneira objetiva.

RFP é a sigla para Request for Proposal, ou solicitação de proposta. Nesse processo, a empresa apresenta o problema que precisa resolver, detalha as características da operação e informa o que espera do fornecedor. Com essas informações, os candidatos conseguem elaborar propostas mais alinhadas à realidade do negócio.

Quando o documento não define claramente o escopo, os canais, os volumes e os resultados esperados, cada fornecedor pode interpretar a demanda de uma maneira diferente. Consequentemente, a comparação fica limitada ao preço, mesmo quando as propostas oferecem estruturas, tecnologias e níveis de serviço distintos.

O que deve ser definido antes de elaborar a RFP?

Antes de convidar fornecedores, a empresa precisa entender o que pretende terceirizar e quais resultados espera alcançar.

O primeiro passo consiste em diagnosticar a operação atual, quando houver. Isso envolve levantar o volume de contatos, os principais motivos de atendimento, os horários de maior demanda, os canais utilizados e as dificuldades que a equipe enfrenta.

Além disso, é importante definir se a contratação envolverá toda a operação ou apenas determinadas atividades. Uma empresa pode terceirizar o SAC completo, por exemplo, ou buscar apoio para horários específicos, períodos sazonais ou demandas que exigem uma estrutura especializada.

Essa definição orienta as demais etapas e evita que o fornecedor precise estimar informações essenciais sem uma referência confiável.

1. Defina o escopo da operação

O escopo é uma das partes mais importantes do RFP, porque determina o que o fornecedor deverá entregar.

Para torná-lo claro, descreva:

  • Objetivo da contratação: reduzir filas, ampliar horários, melhorar a qualidade, absorver crescimento ou reorganizar a operação.
  • Canais de atendimento: telefone, e-mail, chat, WhatsApp e outros canais previstos.
  • Tipos de demanda: dúvidas, reclamações, solicitações, cancelamentos, suporte ou atividades comerciais.
  • Horários de funcionamento: dias, turnos, feriados e necessidade de cobertura fora do horário comercial.
  • Volume estimado: quantidade de contatos por canal, distribuição por horário e variações sazonais.
  • Complexidade: tempo médio de atendimento, necessidade de consulta a sistemas e dependência de outras áreas.
  • Responsabilidades: atividades do fornecedor e tarefas que permanecerão sob responsabilidade da contratante.

Quanto mais detalhado for o escopo, menor será o risco de receber propostas que considerem estruturas diferentes para atender à mesma solicitação.

2. Estabeleça os indicadores e os SLAs

Não basta solicitar um atendimento de qualidade. A empresa precisa definir como pretende avaliar a entrega.

Os indicadores devem refletir os objetivos da contratação. Se a prioridade for reduzir filas, será necessário acompanhar a acessibilidade dos canais. Caso a preocupação seja resolver problemas com mais eficiência, indicadores de resolução e recontato terão maior relevância.

Indicador O que ajuda a avaliar
Nível de serviço Percentual de contatos atendidos dentro do tempo estabelecido
Taxa de abandono Quantidade de consumidores que desistem antes do atendimento
Tempo médio de atendimento Tempo utilizado para conduzir cada interação
Resolução no primeiro contato (FCR) Capacidade de solucionar demandas sem novo contato
Taxa de recontato Frequência com que o consumidor retorna pelo mesmo problema
Qualidade do atendimento Aderência aos critérios de avaliação definidos
Satisfação do cliente Percepção do consumidor sobre a experiência

Entretanto, os indicadores precisam vir acompanhados de definições claras. Para cada um, especifique a fórmula de cálculo, a fonte dos dados, o período de apuração, a meta esperada e a forma de tratar desvios.

Também é importante evitar metas isoladas que incentivem comportamentos inadequados. Por exemplo, cobrar apenas a redução do tempo médio de atendimento pode levar a interações apressadas e aumentar o recontato.

Os SLAs (Service Level Agreements), ou acordos de nível de serviço, devem transformar as expectativas em compromissos verificáveis. Sempre que aplicável, o contrato também deve prever planos de ação e consequências para o descumprimento das metas.

3. Especifique os requisitos de tecnologia e segurança

A proposta técnica precisa mostrar como o fornecedor pretende sustentar a operação.

Por isso, descreva os sistemas utilizados atualmente e identifique as integrações necessárias com CRM, ERP, plataformas de atendimento e demais ferramentas corporativas.

Além das funcionalidades, avalie a disponibilidade dos sistemas, os mecanismos de contingência, os controles de acesso, a proteção dos dados e as regras de gravação e armazenamento de interações.

A empresa também deve definir quem terá acesso aos relatórios, como poderá consultar os dados de origem e quais condições serão aplicadas à portabilidade das informações no encerramento do contrato.

Nesse contexto, uma solução de SAC Terceirizado precisa ser avaliada pelo conjunto da entrega: equipe, processos, tecnologia, gestão e capacidade de manter a operação funcionando conforme os requisitos acordados.

4. Avalie a estrutura e a gestão de pessoas

Uma proposta comercial pode apresentar uma estrutura aparentemente eficiente, mas a empresa precisa entender como o fornecedor pretende mantê-la ao longo do contrato.

Solicite informações sobre dimensionamento da equipe, supervisão, treinamento inicial, reciclagens, monitoria da qualidade, gestão de absenteísmo e rotatividade.

Além disso, peça que o fornecedor explique como prepara novos profissionais, acompanha o desempenho e substitui integrantes da equipe sem comprometer a continuidade do atendimento.

Esses fatores influenciam diretamente a estabilidade da operação. Uma estrutura com capacidade insuficiente ou treinamento inadequado pode comprometer a qualidade mesmo quando os indicadores iniciais parecem favoráveis.

5. Determine os critérios para comparar os fornecedores

A matriz de avaliação deve existir antes do recebimento das propostas. Dessa forma, a empresa consegue analisar todos os candidatos com os mesmos critérios, sem adaptar as regras ao fornecedor que apresentar a proposta mais atraente.

Uma matriz inicial pode considerar os seguintes aspectos:

Critério Peso ilustrativo
Capacidade operacional e experiência 25%
Proposta comercial e custo total 25%
Qualidade, gestão e treinamento 20%
Tecnologia, integração e segurança 20%
Governança e plano de implantação 10%
Total 100%

Esses pesos são apenas um exemplo. A empresa deve ajustá-los conforme seus objetivos, riscos e características operacionais.

Além da pontuação, estabeleça requisitos eliminatórios. Uma proposta que não atende a uma exigência indispensável de segurança, cobertura ou capacidade operacional não deve avançar apenas porque apresenta um preço menor.

Também vale solicitar referências de operações semelhantes e evidências que sustentem as afirmações do fornecedor.

6. Compare o custo total, não apenas o preço mensal

Uma das falhas mais comuns na contratação acontece quando a decisão considera somente o valor apresentado na proposta.

Para evitar esse problema, a empresa deve avaliar o custo total da operação, incluindo implantação, integrações, treinamento, licenças, recursos adicionais, reajustes e possíveis cobranças por excedentes.

Da mesma maneira, é necessário verificar o que está incluído no valor contratado e quais situações podem gerar custos extras.

Uma proposta mais barata pode exigir investimentos complementares ou oferecer uma estrutura incompatível com a demanda. Por outro lado, uma proposta de maior valor pode apresentar recursos e processos que reduzam retrabalho e melhorem a eficiência.

Portanto, a comparação precisa considerar o custo e a capacidade de entrega em conjunto.

7. Inclua a implantação e a transição no planejamento

A contratação não termina com a assinatura do contrato. A transição exige transferência de conhecimento, configuração de sistemas, treinamento, validação de processos e acompanhamento dos primeiros resultados.

Por isso, solicite um plano de implantação que apresente etapas, responsáveis, prazos, dependências e critérios para considerar a operação estabilizada.

Quando houver troca de fornecedor, defina também como ocorrerá a transferência de informações e como a empresa pretende reduzir os riscos de interrupção.

A Consultoria para Atendimento pode contribuir quando a organização precisa diagnosticar processos, revisar indicadores ou estruturar melhor os requisitos operacionais antes de contratar ou reorganizar o serviço.

Essa análise ajuda a esclarecer o que a empresa realmente precisa comprar, evitando que o RFP apenas reproduza problemas da operação atual.

8. Organize o documento final da RFP

Depois de reunir as informações, organize o documento para que todos os fornecedores respondam às mesmas perguntas e apresentem suas propostas em um formato comparável.

Uma estrutura prática inclui:

  1. Apresentação da empresa e contexto da contratação.
  2. Objetivos e resultados esperados.
  3. Escopo e volumes estimados.
  4. Canais, horários e tipos de demanda.
  5. Indicadores, metas e requisitos de qualidade.
  6. Requisitos tecnológicos, de segurança e integração.
  7. Estrutura de equipe e plano de treinamento.
  8. Modelo de proposta comercial e custos adicionais.
  9. Plano de implantação e transição.
  10. Critérios de avaliação, prazos e formato de envio.

Por fim, estabeleça um canal para esclarecimento de dúvidas e compartilhe as respostas relevantes com todos os participantes. Assim, os fornecedores trabalham com a mesma base de informações.

Uma boa RFP começa antes da escolha do fornecedor

Montar um RFP para contratar uma operação de Contact Center exige clareza sobre os problemas que a empresa precisa resolver, os recursos necessários e os resultados que pretende alcançar.

Quando o documento apresenta um escopo detalhado, indicadores verificáveis, requisitos tecnológicos e critérios objetivos de avaliação, a comparação deixa de depender exclusivamente do preço.

A contratação passa a considerar a capacidade de entrega, a qualidade, a segurança e a continuidade da operação.

A InHouse apoia empresas que precisam estruturar e terceirizar suas operações de atendimento. Fale com nossa equipe para conhecer o SAC Terceirizado e avaliar uma operação alinhada aos seus volumes, canais, indicadores e objetivos de negócio.

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